Devido aos avanços tecnológicos que se tornam cada vez maiores nos últimos anos, as grandes inovações, a concorrência acirrada e as normas governamentais bastante rigorosas, os empresários são obrigados a enfrentar o grande desafio de conquistar o seu espaço no mercado e se adaptarem as novas tendências para conseguir satisfazer uma geração de consumidores cada vez mais exigentes, sem deixar de lado o lucro almejado. Logo, conquistar a fidelidade dos clientes tornou-se um fator primordial para as empresas que buscam um sucesso sustentável nesse ambiente extremamente competitivo.
Um diferencial que alguns empresários estão implantando em suas empresas é a utilização da Logística Reversa, não apenas como uma forma de conscientizar a sociedade para os problemas ambientais, mas também ganhar a competitividade, com a redução de custos, aumentando os lucros e ao mesmo tempo exercendo sua função social. Mas como funciona a Logística Reversa?
Tanto a logística convencional como a logística reversa utiliza os mesmos processos na cadeia de abastecimento, ou seja, tratam de uma forma sistêmica o nível de produção, o armazenamento e o transporte. Do fornecedor da matéria-prima até o consumidor final com um preço justo e acessível, a Logística Reversa, é o caminho contrário da convencional, trazendo com ela o conceito de que a eficiência de uma boa gestão administrativa não termina na entrega do produto ao cliente. A vida de um produto no ponto de vista da distribuição reversa não termina quando chega ao cliente, e sim, com o retorno a empresa dos seus resíduos pós-consumo para ser descartado adequadamente ou reutilizado através da reciclagem.
Apesar do perfil do novo consumidor ser de preocupação com a preservação do meio ambiente, alguns ainda, por falta de conhecimento ou consciência, podem causar danos ambientais através dos resíduos que descartam de forma incorreta em locais não seguros, na natureza, trazendo conseqüências prejudiciais a todos nós e as gerações futuras. Esse novo ramo da Logística vem com intuito de ser mais uma ferramenta para conter esse aumento exagerado dos resíduos prejudiciais que uma sociedade consumista vem depositando na natureza.
Em um processo de distribuição reversa a empresa fornecedora do produto fica responsável pela coleta, manuseio, armazenamento ou reaproveitamento dos resíduos pós-consumo, acelerando o processo de retorno para a empresa, evitando assim, que estes sejam depositados em locais impróprios pelo consumidor. Se todo o processo funcionar, se for eficiente nas duas pontas da cadeia de abastecimento, ou seja, na entrega para o cliente e no retorno dos resíduos para a empresa, a confiança e a satisfação do consumidor estará garantida, podendo ser motivado a efetuar uma nova compra.
Segundo dados coletados na Revista Exame, edição 910, ano 42 n. 1, de 30.01.2008 – páginas 76 e 77; a logística reversa está sendo muito utilizada pelas grandes indústrias para tentar apagar os danos ambientais causados pelos resíduos descartados após o consumo. Companhias como Apple e Sony, nos últimos anos, passaram a recolher os próprios equipamentos usados para depois reaproveitar a matéria-prima na linha de produção. A Motorola, fabricante de celulares, desde 2004, recolhe anualmente 2500 toneladas de equipamentos, o equivalente a 3,5% de suas vendas. Um dos casos mais recentes é o da HP, que em dezembro de 2007 habilitou um centro de serviço autorizado em Sorocaba, interior de São Paulo, a receber as baterias e impressoras descartadas pelos clientes; após a coleta, o material é encaminhado para os dois centros próprios da HP para reciclagem nos Estados Unidos.
Um grande desafio a ser vencido, é convencer os consumidores a devolver os equipamentos ou produtos usados aos fabricantes. No exterior, empresas como Apple e Sony apostaram na estratégia de oferecer crédito para a compra de novos produtos ou descontos para quem devolver um usado nas lojas.
Apesar das inúmeras vantagens associadas à logística reversa, ainda é um processo bastante recente nas empresas, pois ao contrário do processo tradicional possui certo nível de incerteza, já que questões relacionadas á qualidade e a demanda ficam difíceis de controlar, sendo necessário designar uma área ou setor da empresa somente para esse fim. Algumas empresas, como a Motorola, preferem delegar o desmanche dos produtos usados a empresas tercerizadas.
A distribuição reversa é uma área nova, porém com grande potencial para crescer. Deve ser vista não como despesa, mas como um novo recurso para lucratividade. É fundamental que além dos empresários, os governantes e toda a sociedade se conscientizem e contribuam para o desenvolvimento de processos como este, pois preservando o meio ambiente estaremos garantindo bons resultados para o futuro de todos.
Essa reportagem foi elaborada com a participação dos acadêmicos do curso de administração, cujos integrantes são: Carolina Holzhausen, Cássia, Elisangela, Liliam e Simone Policante.